quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Carta 1
O que nos faz arribar, independente de nossa determinação para não esmorecer? Muito do que se busca hoje é pautado em conceitos de segurança, ideia confortante em meio a um caos criado; fruto de sucessivas tentativas de complicar o que pode ser leviano, simples. E quando encontramos a segurança, logo somos acometidos por uma espécie de melancolia, que se apodera de nossos espíritos e toma a sanidade de nossas ações. Os pensamentos são corrosivos, nos deixam imersos em um infinito de incertezas e na incapacidade da decisão. O tempo passa a passo manso, atormentando os espíritos que só anseiam para que aquele dia acabe, e é possível sentir a insegurança tomando uma parte do que nos é tão querido, precioso. E choramos; sem saber por que.
A verdade é que não fomos feitos para a felicidade. Homem nenhum sabe lidar com ela. Nenhum.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Um Dito.
Desculpe-me, se por vezes penso em ti. Não é minha culpa. Sei que abuso, materializando-o em minha frente repetidas vezes, sem poder decidir os por quês ou comos. Talvez seja saudade. Não, não é racional, de fato; mas sinto não ter plenos controles sobre minhas ações. Com muita ternura penso em palavras e gestos, em como você me pareceu no começo e como é, ainda hoje. Ao longo dessa trajetória, mudamos, mas continuamos os mesmos. E eu queria poder dizer apenas que o amo, muito, sem que isso me inundasse com medos de pressupostos quaisquer, ou de finais iminentes e jamais esperados. Queria poder sentir minhas mãos protegendo algo tão precioso; mas me é recorrente assistir a tudo se esvair, aos poucos. E então, tudo remete a você. Novamente, me desculpe.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Verbetes Que Representam o Homem em Sua Condição de Humano
Protelar.
Um dos verdadeiros semblantes humanos. Um gesto, um momento, um fim. Às vezes, fruto de insegurança; outras, simplesmente resultado de se estar agarrado demais a algo, a ponto de não suportar qualquer mudança, por menor que esta seja.
Insegurança.
Monstro de formas ingratas que nos assombra, a todos, sem exceção. É fato, mente-se para enganar o ego quanto à esta falha. Mas está lá, presente, e se torna arquiteta de todas as incertezas que nos fazem arribar, apesar de nossas desesperadas tentativas de jamais esmorecer.
Confiança.
Representação do esforço supremo de toda uma nação, como indivíduo. Demanda tempo, solidez, estabilidade. E, em sua ausência, faz-se querer ter de volta todas as crenças já empregadas em algo, alguém; até o ponto de não restar nada, e tudo voltar ao início. Como relações.
...
De onde vem essa necessidade de se ater a algo, em determinado tempo-espaço? A busca pelos pequenos detalhes, que permeiam nossos relacionamentos e nos fazem mais fortes, ou fracos. Parece-me infindável. Desejo-te, sim. Como um todo, em suas partes, sutilezas e formas-de-ser. Quem dera soubesses quanto. Mas não, não agora, é impossível. Algo falta para o que se clama ser se consolidar, deixar de ser um vir-a-ser. Espero, não por muito, e anseio para que a ordem dos verbetes se altere.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Pontual
Do fundo da alma eu desejo, e, mais que isso, suplico, que não seja esta mais uma tentativa vã que recaia sobre a solidão diária. Anseio, mais do que tudo, que não finde feito nós cegos que tanto pontuam nossa passagem por esse mundo. Afinal, confio, em você, em nós. Que não seja isso um erro. Por nós.
sábado, 4 de agosto de 2012
Constância
As palavras me fogem, agora, e sou tomadas apenas por sorrisos discretos e olhares vagos. Ah, sim, de fato meu único desejo era conseguir juntar caracteres suficientes para dizer tudo que tenho preso à garganta, mas é meu infortúnio emudecer no momento derradeiro. Silêncio mergulhado.
Anseio encontrar motivos suficientes para me conformar com essa falta, e simplesmente seguir adiante, preservando em meu íntimo o todo do qual falo; porém, a realidade é mais cruel, e esse todo deseja se mostrar, transformando-se em amplexos consecutivos que me tomam e afogam, obrigando-me, acima de tudo, a sorrir descaradamente. Invade-me então o delicioso cheiro do café recém-coado, e posso sentir em minha pele sedas de textura semelhante a das pétalas das maiores rosas. Presencio, então, os abraços, carinhos, beijos e volúpias escondidas. Sinto as tardes passadas e as noites por vir, um infinito de possibilidades, de foram e seriam, e, por fim, do que é. E que, de fato, é.
Assim, neste momento, vejo-me obrigada a abandonar minhas composturas de alma letrada, e minha única pretensão, íntima, suprema, é atirar-me em seus braços e sentir o infinito dos segundos a passar por nós.
---
Aye, isso é, de fato, diretamente para você.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
De Ternura
Eu o tenho,
Mas não o tomo para mim; não o absorvo.
O tenho a meu lado,
Não dentro de mim.
O importante, dizem, é ter alguém,
Por hoje ou ontem, quiçá mesmo por muito.
Por um tempo que ultrapasse, passe;
Maior que o efêmero que se clama importante.
Palavras podem ser sucintas,
E, por vezes, de eco infindável.
Na condição de já ter, peço uma coisa, apenas:
Me tenha também, como tenho a você.
---
Homenagem, àquele que sempre se prova o mais importante.
Mas não o tomo para mim; não o absorvo.
O tenho a meu lado,
Não dentro de mim.
O importante, dizem, é ter alguém,
Por hoje ou ontem, quiçá mesmo por muito.
Por um tempo que ultrapasse, passe;
Maior que o efêmero que se clama importante.
Palavras podem ser sucintas,
E, por vezes, de eco infindável.
Na condição de já ter, peço uma coisa, apenas:
Me tenha também, como tenho a você.
---
Homenagem, àquele que sempre se prova o mais importante.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Perene
Embriago-me em ti.
De forma tola, sinto-te a percorrer meu corpo,
E, em tempo findo, mantenho teu gosto em minha boca,
Enquanto que olhos e ouvidos se atêm àquele sinal de adeus.
Se me fosse possível, fugiria para longe,
Mas sinto a invalidez a tomar-me a alma,
Sufocando parte do que sou, e dando-me nula alternativa,
Que não a de permanecer a teu lado.
Abraça-me, e cala minhas palavras.
Não permita agora, que profira em bom tom,
Dessas coisas que nos metem medo.
Faça com que me esqueça de passados e penas,
E só mantém minha cabeça em teu peito,
A tornar eterno o momento derradeiro.
De forma tola, sinto-te a percorrer meu corpo,
E, em tempo findo, mantenho teu gosto em minha boca,
Enquanto que olhos e ouvidos se atêm àquele sinal de adeus.
Se me fosse possível, fugiria para longe,
Mas sinto a invalidez a tomar-me a alma,
Sufocando parte do que sou, e dando-me nula alternativa,
Que não a de permanecer a teu lado.
Abraça-me, e cala minhas palavras.
Não permita agora, que profira em bom tom,
Dessas coisas que nos metem medo.
Faça com que me esqueça de passados e penas,
E só mantém minha cabeça em teu peito,
A tornar eterno o momento derradeiro.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Nota
Esvaiu-se.
Aos poucos pude vê-lo cessar,
E o brilho, outrora impune, enegrecia,
Estando logo findo,
Feito água de sal em noite sem lua.
Que fizeste, meu Deus?
Mandaste ti promessas vindouras,
E, ao badalar da última nota,
Me roubaste, com tuas garras abútreas,
Quedando eu só, num infinito que já não se vê.
Como pôde, amante ignóbil,
Lançar-se sobre mim com vulgaridades ardentes,
Emergindo em sua volúpia suja,
E maculando cálido corpo,
Que me vejo obrigada a sustentar?
Se pudesse, arrastava-me para fora de teu covil,
Mas o ar se rarefaz em minha frente,
E se dissipam os fios de luz,
Transformando-me, aos poucos,
Em monstro vil de escuridão.
Chega, já não posso sentir; abstenho-me
À espera do errante que, sei, jamais chegará.
Aos poucos pude vê-lo cessar,
E o brilho, outrora impune, enegrecia,
Estando logo findo,
Feito água de sal em noite sem lua.
Que fizeste, meu Deus?
Mandaste ti promessas vindouras,
E, ao badalar da última nota,
Me roubaste, com tuas garras abútreas,
Quedando eu só, num infinito que já não se vê.
Como pôde, amante ignóbil,
Lançar-se sobre mim com vulgaridades ardentes,
Emergindo em sua volúpia suja,
E maculando cálido corpo,
Que me vejo obrigada a sustentar?
Se pudesse, arrastava-me para fora de teu covil,
Mas o ar se rarefaz em minha frente,
E se dissipam os fios de luz,
Transformando-me, aos poucos,
Em monstro vil de escuridão.
Chega, já não posso sentir; abstenho-me
À espera do errante que, sei, jamais chegará.
domingo, 15 de julho de 2012
De Abismo
Ah! Medo!
Esse demônio de carismas que paira sobre nossas cabeças
E destila, a pé de ouvidos,
As doces palavras que nos matam aos poucos.
Em seus passinhos de valsa, nos guia ao precipício invisível;
Insultando-nos, ri das totalidades vazias,
Que nas noites quentes são nosso único escape.
Esse demônio de carismas que paira sobre nossas cabeças
E destila, a pé de ouvidos,
As doces palavras que nos matam aos poucos.
Em seus passinhos de valsa, nos guia ao precipício invisível;
Insultando-nos, ri das totalidades vazias,
Que nas noites quentes são nosso único escape.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Nota Noturna
Pois é assim, sem tom qualquer
Ou explicação plausível,
Que pela boca se esvai o sentimento; sentido.
E nas madrugadas frias e aluadas,
Amantes póstumos trocam carícias vagas.
Ou explicação plausível,
Que pela boca se esvai o sentimento; sentido.
E nas madrugadas frias e aluadas,
Amantes póstumos trocam carícias vagas.
domingo, 24 de junho de 2012
Heróico
De hoje e há muito vê-se em face encerada,
O misto das lágrimas vermelhas.
As mãos já não podem erguer-se, os pulmões já se calam.
E dos teus gritos se faz silêncio,
E escorre tua vida, virada romance outro
De prateleira qualquer.
Visto senão como Ulisses de versos helenos,
És heróico, distante.
Ou, quem sabe, como outro Don Quixote
Aferrado às surpresas por sua ingênua coragem,
Ouve de longe risadas de piedade.
Mas isso, que tanto te importa?
Pois tu, nobre baiano,
De longa passagem curta por nossa história,
Se fez lembrado pelos esquecidos.
O misto das lágrimas vermelhas.
As mãos já não podem erguer-se, os pulmões já se calam.
E dos teus gritos se faz silêncio,
E escorre tua vida, virada romance outro
De prateleira qualquer.
Visto senão como Ulisses de versos helenos,
És heróico, distante.
Ou, quem sabe, como outro Don Quixote
Aferrado às surpresas por sua ingênua coragem,
Ouve de longe risadas de piedade.
Mas isso, que tanto te importa?
Pois tu, nobre baiano,
De longa passagem curta por nossa história,
Se fez lembrado pelos esquecidos.
terça-feira, 27 de março de 2012
Terra
Emergiu no mundo como se emerge de um mar de águas. Ainda buscando fôlego, olhou para os lados – cheios, apertados. Havia muitos iguais, mas, por mais que tentasse, não conseguia, como eles, viver daquele modo. E se afogou, sozinha no meio de tantos, na solidão da terra seca.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Vermelho
Amanheceu. Sol branco, que nada tinha de estranho, no areal duro que se estende até o infinito. A brisa – quando há – faz-se presente, porém nunca é suficiente para mover uma única folha, flor. Hoje o dia parece mais quente. Não se vê muito por muito, a não ser esparsos matagais secos, com seus acúleos apontados aos céus, louvando não sei bem o quê. Vida e morte. Num misto de tudo e nada. Deus e o Diabo dançam a valsa do tempo ao sabor dos redemoinhos, que levantam nuvens amareladas, secas. Impossível a vida, a princípio, em lugar que só se espera encontrar, quem sabe, estórias em vento. Exceto, talvez, uma pequena flor. Nalgum canto, entre acúleos e sóis, nasceu. Vermelha, da cor da terra quando vê água. E que lindeza, uma cor dessas, numa parte como essa. Seca. Mas não a flor. Ela não move com a brisa. Não. Houve tempo que se esforçava para entornar pouco que fosse, talvez sonhando em ver algo diferente, qual ela, naquela paisagem dura. E viu. Grandes animais já passaram; fantasmas, brancos como o sol. Passaram e deixaram nada mais que pedras. Uma que fosse; pedra da cor dos rios que um dia a molharam, acariciaram. Era cor de pedra de rio, furta-cor se não de verde, azul. Céu. Aparecia tanto mais que a flor no sem-tempo de lá. E juntas, fizeram daquele pedaço de infinito um tanto especial, quiçá vivo, molhado. Mas foi há tempos. Já não se sabe; nem o vento, pois a flor já não balança por espiadelas à furta-cor. Não. Não há mais o que espiar. De onde pulsavam as cores em uma, não há senão areia dura de tempo. Algo, se de fato houve, já se deixara enterrar, esquecido. E a flor quedou-se só, deixando-se esquecer também, da cor da terra seca, agora sonhando com o barulho das águas que nunca viu.
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Homenagem à uma saudade que dói.
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Homenagem à uma saudade que dói.
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