As palavras me fogem, agora, e sou tomadas apenas por sorrisos discretos e olhares vagos. Ah, sim, de fato meu único desejo era conseguir juntar caracteres suficientes para dizer tudo que tenho preso à garganta, mas é meu infortúnio emudecer no momento derradeiro. Silêncio mergulhado.
Anseio encontrar motivos suficientes para me conformar com essa falta, e simplesmente seguir adiante, preservando em meu íntimo o todo do qual falo; porém, a realidade é mais cruel, e esse todo deseja se mostrar, transformando-se em amplexos consecutivos que me tomam e afogam, obrigando-me, acima de tudo, a sorrir descaradamente. Invade-me então o delicioso cheiro do café recém-coado, e posso sentir em minha pele sedas de textura semelhante a das pétalas das maiores rosas. Presencio, então, os abraços, carinhos, beijos e volúpias escondidas. Sinto as tardes passadas e as noites por vir, um infinito de possibilidades, de foram e seriam, e, por fim, do que é. E que, de fato, é.
Assim, neste momento, vejo-me obrigada a abandonar minhas composturas de alma letrada, e minha única pretensão, íntima, suprema, é atirar-me em seus braços e sentir o infinito dos segundos a passar por nós.
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Aye, isso é, de fato, diretamente para você.
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