sexta-feira, 20 de julho de 2012

De Ternura

Eu o tenho,

Mas não o tomo para mim; não o absorvo.
O tenho a meu lado,
Não dentro de mim.

O importante, dizem, é ter alguém,
Por hoje ou ontem, quiçá mesmo por muito.
Por um tempo que ultrapasse, passe;
Maior que o efêmero que se clama importante.

Palavras podem ser sucintas,
E, por vezes, de eco infindável.
Na condição de já ter, peço uma coisa, apenas:
Me tenha também, como tenho a você.

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Homenagem, àquele que sempre se prova o mais importante.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Perene

Embriago-me em ti.
De forma tola, sinto-te a percorrer meu corpo,
E, em tempo findo, mantenho teu gosto em minha boca,
Enquanto que olhos e ouvidos se atêm àquele sinal de adeus.

Se me fosse possível, fugiria para longe,
Mas sinto a invalidez a tomar-me a alma,
Sufocando parte do que sou, e dando-me nula alternativa,
Que não a de permanecer a teu lado.

Abraça-me, e cala minhas palavras.
Não permita agora, que profira em bom tom,
Dessas coisas que nos metem medo.

Faça com que me esqueça de passados e penas,
E só mantém minha cabeça em teu peito,
A tornar eterno o momento derradeiro.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Nota

Esvaiu-se.
Aos poucos pude vê-lo cessar,
E o brilho, outrora impune, enegrecia,
Estando logo findo,
Feito água de sal em noite sem lua.

Que fizeste, meu Deus?
Mandaste ti promessas vindouras,
E, ao badalar da última nota,
Me roubaste, com tuas garras abútreas,
Quedando eu só, num infinito que já não se vê.

Como pôde, amante ignóbil,
Lançar-se sobre mim com vulgaridades ardentes,
Emergindo em sua volúpia suja,
E maculando cálido corpo,
Que me vejo obrigada a sustentar?

Se pudesse, arrastava-me para fora de teu covil,
Mas o ar se rarefaz em minha frente,
E se dissipam os fios de luz,
Transformando-me, aos poucos,
Em monstro vil de escuridão. 

Chega, já não posso sentir; abstenho-me
À espera do errante que, sei, jamais chegará.

domingo, 15 de julho de 2012

De Abismo

Ah! Medo!
Esse demônio de carismas que paira sobre nossas cabeças
E destila, a pé de ouvidos,
As doces palavras que nos matam aos poucos.
Em seus passinhos de valsa, nos guia ao precipício invisível;
Insultando-nos, ri das totalidades vazias,
Que nas noites quentes são nosso único escape.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Nota Noturna

Pois é assim, sem tom qualquer
Ou explicação plausível,
Que pela boca se esvai o sentimento; sentido.
E nas madrugadas frias e aluadas,
Amantes póstumos trocam carícias vagas.