segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Conto da Flor Dama


Existe uma lenda, das terras que primeiro vêem o sol, acerca de uma bela princesa, destinada a ser rainha. A princesa, feita de formosura e pureza, lânguida pele e lábios de pêssego, era a mais bela criatura já vista. Muito rica, era também muito cobiçada. Muitos pretendentes passavam por ela, pedindo-lhe o coração prometendo-lhe os mais belos presentes em troca, mas nenhum jamais tivera sucesso, posto que o coração da princesa já havia sido dado.

O amor se manifesta das mais distintas formas, e para a princesa acabou por um belo rapaz, de bondade sem igual e dotado de todas as virtudes que os deuses poderiam conceder, porém proveniente de uma família sem fortuna, e, assim, fadado à vida de um plebeu. Proibido, o amor dos jovens deveria, com prudência, ser evitado. Mas que pode ser prudente no fulgor de uma paixão? Assim, mantendo-o em segredo, alimentavam este amor durante a noite. Quando todos já haviam dormido, a princesa despertava, e, de sua janela, com seu amor se encontrava. Nada podiam trocar além de juras e promessas, porém, ansiavam o dia em que finalmente ficariam juntos, e, durante as horas que antecediam o nascimento do sol, juntos ali jaziam.

Ouvindo falar em tamanha beleza, e sabendo das riquezas e fracassos de todos os outros, um príncipe de terras longínquas decidiu conquistá-la. Todos duvidavam de seu sucesso diante de tão difícil mulher, porém nenhum deles suspeitava que o príncipe era, de fato, um grande feiticeiro, com poderes inimagináveis. O feiticeiro, por sua vez, não suspeitava do amor nutrido pela bela princesa a um plebeu, e muito menos imaginava que seu coração ela já havia dado.

Assim, partiu, certo de que logo a teria em seus braços. Chegando ao palácio, utilizou-se de cruel ardil, e, ao invés de procurar pela princesa e lutar por seu coração, procurou por seu pai, e este enfeitiçou, fazendo-o conceder a mão de sua filha sem por um momento perceber o que fazia. A princesa, de nada soube, e nutria planos com o amado para juntos fugirem, e, longe daquelas terras, em paz e felizes viverem.

Já baixava o sol quando o pai entrou no quarto da princesa, anunciando o casamento e dando as deivdas felicitações. A moça implorava e pedia piedade, porém, enfeitiçado pela cobiça do prícipe, o pai de nada cedia. Avisara que na manhã seguinte seu futuro esposo a conheceria, e, dali a dois dias, estariam casados. A princesa, em tremendo desespero, chamava em silêncio por seu amado. E como o dia teimava em prolongar suas horas!

Quando finalmente a noite chegou, a princesa pôde finalmente contar ao plebeu as novidades. Mortificado, jurou fugir com ela na noite que antecedia o casório. E, como em outras tantas noites, jaziam nesta trocando promessas. O feiticeiro, porém, de longe observava e ouvia, e, envenenado pela inveja da mulher que nunca teria, armou um plano perverso.

Na noite seguinte, a princesa pelo seu amado já esperava, porém, antes que pudessem se encontrar, o feiticeiro lançou-lhe terrível feitiço, transformando-a em pequenino arbusto, escondido no imenso jardim entre muitas árvores. Nada poderia ela fazer a não ser sussurrar, e esperar que, do vento, seu amado ouvisse o chamado, e, dando-se conta do que se passara, quebrasse o feitiço e a transformasse de volta. O plebeu não tardou chegar, e durante muito tempo esperou e chamou, até que a noite findou e o sol começou a surgir. Com o coração partido, foi-se, cego de lágrimas, e o primeiro barco pegou para bem longe dali.

A princesa ficou, ainda com esperanças de que seu amado a ouvisse. Durante muito tempo esperou, até que daquele amor de uma noite e de uma lágrima escorrida, surgiu uma grande flor. Branca, era a mais bela, a soberana dama na noite, que durou do crepúsculo ao nascer do sol. As brancas flores que ainda hoje brotam tentam trazer de volta à princesa seu amado, há tanto tempo perdido.