quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Verbetes Que Representam o Homem em Sua Condição de Humano

Protelar.
Um dos verdadeiros semblantes humanos. Um gesto, um momento, um fim. Às vezes, fruto de insegurança; outras, simplesmente resultado de se estar agarrado demais a algo, a ponto de não suportar qualquer mudança, por menor que esta seja. 
Insegurança.
Monstro de formas ingratas que nos assombra, a todos, sem exceção. É fato, mente-se para enganar o ego quanto à esta falha. Mas está lá, presente, e se torna arquiteta de todas as incertezas que nos fazem arribar, apesar de nossas desesperadas tentativas de jamais esmorecer. 
Confiança.
Representação do esforço supremo de toda uma nação, como indivíduo. Demanda tempo, solidez, estabilidade. E, em sua ausência, faz-se querer ter de volta todas as crenças já empregadas em algo, alguém; até o ponto de não restar nada, e tudo voltar ao início. Como relações.

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De onde vem essa necessidade de se ater a algo, em determinado tempo-espaço? A busca pelos pequenos detalhes, que permeiam nossos relacionamentos e nos fazem mais fortes, ou fracos. Parece-me infindável. Desejo-te, sim. Como um todo, em suas partes, sutilezas e formas-de-ser. Quem dera soubesses quanto. Mas não, não agora, é impossível. Algo falta para o que se clama ser se consolidar, deixar de ser um vir-a-ser. Espero, não por muito, e anseio para que a ordem dos verbetes se altere.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pontual

Do fundo da alma eu desejo, e, mais que isso, suplico, que não seja esta mais uma tentativa vã que recaia sobre a solidão diária. Anseio, mais do que tudo, que não finde feito nós cegos que tanto pontuam nossa passagem por esse mundo. Afinal, confio, em você, em nós. Que não seja isso um erro. Por nós.

sábado, 4 de agosto de 2012

Constância

As palavras me fogem, agora, e sou tomadas apenas por sorrisos discretos e olhares vagos. Ah, sim, de fato meu único desejo era conseguir juntar caracteres suficientes para dizer tudo que tenho preso à garganta, mas é meu infortúnio emudecer no momento derradeiro. Silêncio mergulhado.

Anseio encontrar motivos suficientes para me conformar com essa falta, e simplesmente seguir adiante, preservando em meu íntimo o todo do qual falo; porém, a realidade é mais cruel, e esse todo deseja se mostrar, transformando-se em amplexos consecutivos que me tomam e afogam, obrigando-me, acima de tudo, a sorrir descaradamente. Invade-me então o delicioso cheiro do café recém-coado, e posso sentir em minha pele sedas de textura semelhante a das pétalas das maiores rosas. Presencio, então, os abraços, carinhos, beijos e volúpias escondidas. Sinto as tardes passadas e as noites por vir, um infinito de possibilidades, de foram e seriam, e, por fim, do que é. E que, de fato, é.

Assim, neste momento, vejo-me obrigada a abandonar minhas composturas de alma letrada, e minha única pretensão, íntima, suprema, é atirar-me em seus braços e sentir o infinito dos segundos a passar por nós.

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Aye, isso é, de fato, diretamente para você.