Com esse cheiro de café de aumentar alma, eu quase que consigo ouvir tua risada, bem do meu lado a pé de ouvido. É risada de tempo, sim; um tempo que passou, mas que insiste em voltar e retornar. Retomar. Tempo de café, de risadas, fotografias e livros empoeirados. Que mais? Para gentes como nós, nada nunca foi demais.
Fico aqui imaginando por que bandas anda você. Se caminhas como menina que fora, de laços e fitas e vestidos de princesa; ou se te rebelou contra o mundo e mundos, e agora corres por ai com olhos negros de brilho castanho. Com essa tua alma inquieta, fascina sempre quem tem a coragem de ficar por perto. E se não bastaram todas as bobagens proferidas em tardes de semanas (ou não-semanas) e em manhãs preguiçosas de pluralidades infantis, os diversificados ramalhetes de assuntos sérios devem de servir. Não que fôssemos exatamente sérias – quem de fato o é?
Se te lembras, sonhos muitos tivemos; tantos que dava até para distribuir por ai. Sonho que se sonha, mas que também se vive. Recomendo que deixes teu baixo de lado, por via das dúvidas. E amor? Se todos precisamos, por que não sobrevivemos dele? Tarefa difícil, vez que se prova do amor que não o nosso. Nossa fala é incontável, de palavra infinita e muitas vezes, nula. Nem sempre se precisa de palavras para você. Ou mesmo para mim, para nós.
Você me chama evolução o jeito novo de pensar mundo e escrever pensamento. Ninguém não pode concordar. Mas de certa forma é só aquilo que nossa inocência não nos deixou descobrir antes – juntas. Tenho o prazer de te ver crescer assim, em palavras. Prazer e desprazer, por que nada justifica não estar a pé de ouvido todo dia assim. Mas já não precisamos disso. Estamos além.
Café pode ser mexerica, perfume ou aquele cheiro de almoço e vinho tinto da tua casa. Confundem-se, misturando idéia e memória. Sinto falta da presença, mas ela não é relevante, posto que um dia com você valha mais do que uma vida toda de meias-horas e hora e meia. Se te encontro em palavra e cheiro, presença e ausência, ou tudo isso de forma a não se distinguir; de todo, não importa. Nesse plano, nesse texto; ou mesmo quebrando qualquer barreira imposta, sei que te vejo e revejo. Por que tempo insiste em retomar o que não foi e ainda está para ser. Volta e retoma. Retorna.
posso me intrometer? isso tá bonito demais.
ResponderExcluirIsso tá bonito. Demais. De dar lágrima nos olhos de quem não chorava há anos. Ou desde a noite retrasada.. Te amo muito.
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