segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Madrugada


Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito. A luz da lua atravessou a janela e esparramou-se pelo quarto, impregnando de luminescência tudo que acabava de se tornar parte do passado. Uma visão esplêndida. Você dorme, belo. Está tranqüilo, e o sorriso de canto de boca o denuncia: está satisfeito também.

Aproximo mais meu corpo do seu. Nu. Sinto o calor que emana, sinto a respiração, a paz. Em que mundo podes estar imerso agora? Em que sonhos, alegrias? Egoísta! Não compartilharás nada. Sei que não. Mas, oh!, está tão belo! Beijo-lhe o peito, o pescoço, os lábios. Quentes, vivos. Você se submete a mim, mas não quero me submeter a ti. Não o amo. Lhe quero bem. Amo-o e quero que sofra! Quero que sangre! Rubro líquido hei de beber.

Deito em seu peito agora. Nossos sexos se desejam, sabemos que sim. Mas dentro de mim nasce uma repulsa. Repulsa ao seu sexo, à vida. Repulsa a ti. Minha repulsa me faz mais perto de você. Dorme. Não acorde. Não abra seus olhos por mim. Só me abrace na noite banhada de lua.

Sente o cheiro de sal? Sente minha pele na pele, sal no sal? As gotas do mar vão escorrendo. Escorrem na janela, na lua. Escorrem em você e em mim. Mas você não vai ver. Nunca vê nada. Abra seus olhos agora! Vamos! Vamos, meu amor! Vamos, escória! Abra seus olhos! Mas você não abre, dorme. Fecho meus olhos junto aos seus.

Sente o cheiro de sal?

Vê o canto do mar! Sente a luz da lua! Ouve o cheiro de vida! A noite se fecha. Se apaga para você e para mim. Mas você não vê. Dorme.

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