terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Madrugada (Na Capital)

Já passou das duas. Minto, já passou das três e os ponteiros caminham para as quatro da manhã. Faz um silencio devastador, e parece que, bem hoje, ninguém resolveu ficar pela madrugada paulistana pra fazer um barulhinho. É uma noite sem lua, também; e nada me distrai para me deixar acordado o suficiente, ou me chateia para eu ficar entediado e pregar o olho. Hoje já é terça feira, e, como todo bom morador deste caos urbano, tenho um compromisso logo cedo. Puxa... 

Ligo a TV e procuro canal a canal alguma coisa que preste - programa, filme, série ou até comercial - alguma coisa que alguma boa alma resolveu colocar na programação. A TV só serve pra quebrar o silencio de quem é só. O meu chá de camomila já esfriou e eu não penso em mais nenhuma artimanha urbana para escapar (ou me entregar) ao sono (nem tarja preta parece resolver). 

"Ao menos tenho as luzes da cidade, que, juntas, atravessam a madrugada da cidade e quebram a aurora". Pra um pobre diabo nenhum consolo basta. Chove nessa merda, mas com o vidro a prova de som não da pra ouvir aquele barulhinho gostoso; e com o aguaceiro que despenca, as luzes são só um borrão indeciso. 

Me viro, reviro, mas não há jeito; o tédio não me da trela, mesmo comigo cedendo à impaciência. O que resta é vegetar em frente à TV, até que uma boa alma venha me avisar que é hora de ir à minha consulta. Quem sabe o terapeuta nao resolve, quando vir as olheiras que descem até a minha boca...

Eis a capital econômica de um país tão bem falado em dia de semana com chuva...

Nenhum comentário:

Postar um comentário